quarta-feira, 7 de abril de 2010

Origem do emblema BDSM

Origem do emblema BDSM

No final de 1994, nas salas de discussão da AOL, sugeria-se uma forma que simpatizantes de BDSM pudessem se identificar em locais públicos sem sofrer nenhum tipo de represália ou perseguição por e
sse estilo de vida. Imaginou-se a principio usar a bandeira do Orgulho do Couro, mas não houve consenso em relação a isso, entre vários motivos, ela não identificava todas as vertentes.






Bandeira Orgulho do Couro


Em 1995, o usuário Quagmyr deu inicio ao projeto do emblema que começou a ganhar corpo quando a discussão foi levada para a internet, especialmente no grupo alt.sex.bondage. Depois de muitos esboços, finalmente o trabalho foi concluído e em 1997 já era conhecido por toda a web.A idéia do emblema BDSM é a do mistério, seu objetivo era ser identificável apenas pelas pessoas conhecedoras do seu real significado. Para leigos, é apenas uma jóia estilizada muito semelhante ao símbolo do Yin-Yang, porém tal semelhança não é acidental. Os contornos representam duas fases (o inicio e o término) e no caso do BDSM isso também se aplica, mas com três divisões: B&D, D&S e S&M, as três divisões também evocam o SSC e finalmente mais um grupo de três (Top’s, Bottom’s e Switchers) representados pelos orifícios que dentro do contexto são uma imperfeição se vistos isoladamente, já que o BDSM não deve ser praticado sozinho.O desenho teve inspiração nos anéis usados em Roissy no livro História de Ó, tem um pouco do estilo Yin-Yang e lembra também um triskele (três pernas).





Yin-Yang



Ttriskele


Anel de Roissy






Emblema BDSM


O metal e a cor metálica representam ferros e correntes simbolizando a servidão e a posse, os campos pretos internos representam a celebração e o controle do lado negro da sexualidade BDSM.As linhas sinuosas podem ser interpretadas como o balanço de um chicote ou o movimento de um braço dando um tapa ou uma entrega erótica.Por fim, o círculo representa a ideologia, a unidade e a comunidade.
Senhor do Norte

História do BDSM



Historia do BDSM
Especificar individualmente quando cada prática começou é uma tarefa árdua e quase impossível devido à diversidade de praticas abrigadas sob o acrônimo BDSM, pois cada uma delas tem origens tão distintas que nos levariam a uma longa jornada pela antiguidade.
Socialmente podemos referenciar o ano de 1918 como um marco para o surgimento do que chamamos hoje de BDSM. Foi quando surgiu a “London Life”, a primeira revista comercial com tendências fetichistas de que se tem notícia, em suas páginas começaram a ser veiculados os primeiros anúncios de encontros e festas privadas.No ano de 1946 foi impressa a revista “Bizarre” (http://www.bizarremag.com), cujo conteúdo era voltado ao Bondage, Dominação e Fetichismo. Sua distribuição era basicamente em clubes e ambientes sadomasoquistas.A explosão realmente aconteceu após a segunda grande guerra mundial, com a volta dos soldados começaram a aparecer grupos de motociclistas com claras tendências homossexuais, tendo o couro como sua bandeira e o S/M como uma prática social. Esses grupos começaram a ter uma forte influência estética sobre o vestuário, o couro passou a ser parte integrante da indumentária, virando um símbolo desse movimento.Em Nova Iorque no ano de 1951 foi fundado o primeiro local reconhecidamente S/M, o Shaw’s.Esse entusiasmo também se refletiu na Europa onde associações e locais S/M começaram a surgir num primeiro momento para grupos homossexuais. Grupos como “Berlin”, em 1964 na Alemanha, “Sixty-Nine Club”, em 1966 na Inglaterra, “VSSM” em 1970 na Holanda, “Boys Cuir France”, na França em 1973, “MSC” em 1974 na Bélgica.Em novembro de 1969 na cidade de Colônia na Alemanha, ocorre a primeira festa pública que reúne mais de cem pessoas. Dá-se nesse momento o impulso e a roda começa a girar. As grandes sociedades S/M da época começam a dar os primeiros passos. Nos Estados Unidos em 1971 a “Eulenspiegel Society”, na Europa em 1975, mais especificamente na Inglaterra a “European Confederation of Motorcycle Clubs (ECMC), em 1976 é fundada por Cynthia Slater e Larry Olsen a “Society of Janus”, em 1978 Pat Califia e Gayle Rubin fundam a “Samois”, um grupo formado por mulheres lésbicas baseado no romance História de Ó. Abriram-se as portas para as mulheres.Na Europa começam a desenvolver-se os grupos heterossexuais e também a aceitação do Switcher (indivíduo que tem prazer nas duas situações), criando-se assim novos espaços de encontro, mas ainda assim vinculados às associações pansexuais.Em 1986 forma-se o grupo de S/M austríaco “Libertine Wien”, em 1987 o “Flagellantenclub Fórum 88”, que chega a ter em 1995 aproximadamente 400 sócios. As festas S/M “Lês Fleurs du Mal”, realizadas no pub “Molotow”, em Hamburgo são realizadas com grande êxito em 1990. Essas festas aconteceram mensalmente por cerca de nove anos.Foi fundado no ano de 1987 o primeiro grupo estritamente heterossexual no seio da comunidade S/M, o alemão S/M-Sündikat Hamburg, que logo desenvolveu uma intensa atividade social, editorial e divulgadora. (Schlagworte Ressourcenliste Version 0006ª, mazo 2000). Foram os realizadores da primeira grande festa S/M européia, na galeria “Abriss” de Hamburgo, com mais de 700 pessoas. Calcula-se nesse mesmo ano a existência de aproximadamente 200 grupos S/M nos Estados Unidos e 180 na Europa, destacando-se a Alemanha com 53 grupos. Outros continentes não foram considerados por não existirem dados confiáveis.Foi realmente a partir dos anos 90 que se intensificou o desenvolvimento de casas, clubes, associações e literatura destinada ao gênero.Originalmente B/D (Bondage e Disciplina), D/s (Dominação e submissão) incorporavam-se ao Sadomasoquismo (S/M, S&M e SM). Muitas pessoas envolvidas nessa subdivisão não quiseram estar associadas a práticas mais violentas ou vistas como abusivas. Muitas discussões se seguiram com os grupos envolvidos e acordou-se um novo acrônimo mais abrangente: BDSM (Bondage e Disciplina, Dominação/submissão e Sado-Masoquismo).O PAPEL DA ALT.SEXEm Abril de 1991 foi criado um grupo de discussão na Internet chamado alt.sex, a partir daí é que as siglas BDSM tornam-se conhecidas, mas vamos primeiro compreender essa terminologia toda.Era popular na época o NEWSGROUP, que é um grupo de discussão categorizado que circulava numa rede chamada USENET (Users’ Networks, ou Utilizadores da Rede). As categorias mais populares eram “alt”, “comp” e “rec”. Só para exemplificar, existiam categorias alt.music, alt.games, alt.movies e obviamente alt.sex. Foi essa a mola propulsora que tornou a comunicação mais abrangente e permitiu a uma discussão mais ampla do BDSM.Atualmente a Internet permite uma interação dinâmica, temos todo o tipo de informações à mão, basta pesquisar, existem vários grupos de discussão brasileiros das mais variadas vertentes. A informação está disponível e fácil para quem está chegando agora e a propagação dessa filosofia está tendo penetração em todas as mídias.



Senhor do Norte

terça-feira, 6 de abril de 2010

BDSM e sua liturgia




BDSM e sua liturgia

BDSM, de forma bem resumida, é o nome dado ao fetiche e arte das cordas (conhecido
como Bondage), dos prazeres da Dominação e submissão e do sadomasoquismo. Da combinação dessas práticas saiu o acrônimo BDSM (Bondage. Dominação/submissão e SadoMasoquismo).
Antes de prosseguir, é importante que você leia o texto abaixo e compreenda exatamente o tipo de sadomasoquismo implícito no BDSM:

Sadomasoquismo de consenso
Não se trata do sadismo e do masoquismo que buscam sofrimento, próprio ou do outro. Na realidade, a grande procura de chicotes, algemas, correntes, assim como de suítes com jaulas em motel, grades de ferros e vários outros apetrechos, visa aumentar o prazer sexual sem machucar. Os que utilizam essa faixa amena, digamos assim, devem ser distinguidos dos casos patológicos. O estereótipo do sádico como criminoso brutal se aplica a uma minoria. Trata-se, no caso do consenso, de um jogo negociado por duas ou mais pessoas e que pode ser interrompido a qualquer momento por qualquer dos participantes.
O sadomasoquismo consensual é completamente diferente do sadismo e masoquismo. Os sádicos verdadeiros não se preocupam se o parceiro tem prazer na relação, ao contrário dos participantes do sadomasoquismo consensual, que se preocupam com o prazer do outro. Neste, a base é o antagonismo entre domínio e submissão, poder e desamparo. É uma prática sexual tão comum que é raro encontrar algum casal de amantes que não tenha brincado de alguma versão do velho jogo em que um domina e o outro é subjugado, ou que não tenha atormentado um ao outro de brincadeira, fingindo dar um beijo e recuando.
Numa pesquisa de 1990 com universitários da cidade de São Paulo, 48% dos homens e 41% das mulheres relataram haver tido relação sexual em que dor e prazer estavam presentes. Mas muito antes, em 1954, o pesquisador norte-americano Alfred Kinsey já havia registrado que mais da metade dos homens e mulheres reagia eroticamente a mordidas. Não muito diferentes de vários animais.
Apesar de o masoquismo ser mais associado às mulheres, devido ao treinamento de submissão e passividade que sempre receberam, vários estudos mostram a inversão dos papéis sociais no sexo. Os prazeres masoquistas fazem parte das fantasias de homens e mulheres em proporções quase iguais, principalmente ser amarrado e subjugado durante as atividades sexuais. E uma pesquisa concluiu que ambos os sexos preferem que o outro seja o sádico. Nem Batman escapa. No filme em que Michelle Pfeiffer interpreta a Mulher-Gato, vestida de borracha colada à pele para lembrar uma dominadora, ele é amarrado por ela a uma cama. Os produtores cortaram a cena, mas as aulas que ela tem com um "mestre do chicote" continuaram.
Na verdade, não há um consenso geral a respeito das causas do sadomasoquismo. Que dor e prazer são sensações intensas e às vezes a fronteira entre os dois não é marcada com nitidez, todo mundo sabe. Alguns, como a historiadora norte-americana Riane Eisler, acreditam que, como a erotização da violência e da dominação foi central na construção social do sexo, a maioria de nós se excita, em graus variados, com essas fantasias.
Para outros essa prática sexual reedita sensações de prazer e poder relacionadas com conflitos do início da vida. Há ainda os que defendem a idéia de que, se dessa forma o prazer aumenta e não faz mal a ninguém, não é necessário explicações e deve-se aceitar com naturalidade.
As grandes cidades de todo o mundo oferecem clubes sadomasoquistas, nos quais a encenação é o mais importante. Trajes negros de couro, chicotes e assessórios de aparência perigosa fazem parte da cena. Entretanto, mesmo o sadomasoquismo consensual pode ser perigoso para pessoas que tenham problemas emocionais.

Fonte: O Livro de Ouro do Sexo
Outras denominações muito freqüentes são SSC e Safeword. SSC nada mais é que as letras iniciais dos pilares do BDSM.
“S” de São, “S” de Seguro e “C” de Consensual.
Tudo que se vive dentro do BDSM é em função do prazer de ambos os parceiros, para isso existe um comprometimento em torno da segurança, da sanidade dos atos e finalmente, da consensualidade. Nada, absolutamente nada que fuja da consensualidade pode ser entendido como BDSM. Não se pode confundir a troca de poder (o momento em que um individuo entrega-se ao outro) com abuso ou violência gratuita.
É um jargão comum o termo “cena” para um ato BDSM. Justamente por tratar-se de uma situação cênica realizada com segurança e consentimento.
Você vai poder explorar situações de medo, dor, humilhação; vai exercer seu poder de dominação ou sadismo, vai fazer tudo aquilo que for prazer de ambos, tendo como regra as três letrinhas: SSC.
Outra denominação importante é a “Safeword” ou “palavra de segurança”. Essa palavra é a maneira da submissa dizer-lhe que chegou ao seu limite, que daí para frente o prazer acabou, que você chegou ao ponto máximo da tolerância dela.
Essa palavra é sempre combinada antes de uma cena e não há justificativas para não respeitá-la. Caso planeje uma situação onde exista mordaça ou algo equivalente que a impeça de falar, é importante que seja combinado um sinal de igual valor.
Outras nomenclaturas comumente usadas são:

TOP para Dominadores
bottom para submissos
Switcher para indivíduos que tem prazer alternando as posições (podem dominar ou servir)
Os demais termos existentes você pode conhecer no GLOSSÁRIO do Portal.

Sobre a liturgia
Liturgia no BDSM são as formalidades sociais nos relacionamentos hierárquicos, o cerimonial que envolve as sessões e os encoleiramentos, tudo aquilo que cria uma atmosfera solene no ambiente sadomasoquista.
Mais tarde falaremos de outros topicos tais como:

Senhor do Norte

BDSM, conheça!


Para os iniciantes

O objetivo dessa área é facilitar o conhecimento para você que está dando os primeiros passos no BDSM e não sabe exatamente como os indivíduos se relacionam nesse meio.
Não tenho a pretensão de dizer que minha forma de pensar seja a verdade absoluta, o BDSM é conceitual, portanto é muito conveniente que você procure conhecer ao máximo as correntes existentes e ver em que ambiente ou comunidade você se identifica melhor. É importante você conhecer as vertentes mais amiúde para ter a certeza de que esse universo é para você, antes de se aventurar.
Caso tenha vindo atrás de sexo fácil, tenho más notícias. A maioria massacrante não tem essa visão e suas chances de sucesso não são boas... Eu explico: O sexo no sadomasoquismo geralmente é conseqüência, não objetivo. Ele existe sim, mas dentro do contexto de uma fantasia e via de regra, exige um comprometimento.
Antes que você veja contradições com outros textos que escrevi em minhas “opiniões” que não são necessariamente os que estão aqui, quero deixar claro que ao escrever o material abaixo, fui conservador e me coloquei no papel do iniciante, pensei nos aspectos da segurança de quem ainda não está familiarizado com o comportamento malicioso de muitos elementos que infelizmente estão presentes em todas as esferas sociais. Meu objetivo é apenas mostrar-lhe o caminho das pedras e com o tempo você escolherá seus atalhos, assim como escolhi os meus.
Não imagine que você está entrando no mundo mágico da Disney, você terá a possibilidade de relacionar-se com pessoas interessantíssimas, mas o inverso também é verdadeiro.
Estou passando referências, apenas dando-lhe um norte para os primeiros passos, uma relação sadomasoquista não é diferente de um relacionamento convencional, ela é construída diariamente sobre as suas fantasias e com o tempo, acaba se tornando única.
Não faça do BDSM uma disputa de resistência ou quebra de recordes em cenas mirabolantes. Priorize o seu prazer, tire o máximo da essência que a relação pode lhe dar, observe e aprenda. Faça tudo de forma segura e se tiver dúvidas, não faça!
Quero lhe passar cuidados e regras básicas que se observadas, podem evitar dissabores e situações desagradáveis.
Não use minhas cenas como modelo, porque o que faço não é a regra, é a exceção. Tenha em mente que tudo se faz com cuidado, ao seu tempo e respeitando as limitações individuais. As imagens existentes no site são o resultado de anos de aprendizado, experiência e a escrava certa.
Entenda também que não falo ou represento uma comunidade, o que você encontra em meu Portal é tão somente o MEU ponto de vista, minhas experiências e minha forma de viver o sadomasoquismo.
Se o material aqui exposto contribuir para seu aprendizado, absorva.
Senhor do Norte